



Chico compositor, Chico escritor, Chico jogador de futebol, Chico pai, Chico avô, Chico brasileiro, Chico homem, Chico menino.
Todos eles fazem aniversário hoje.




1. Moby Dick, de Herman Melville, Edit. Cosac Naify,
2. O sonho dos heróis, de Adolfo Bioy Casares, escritor argentino
4. Austerlitz, de W. G. Sebald, escritor que desafia os limites da ficção,
5. Brad Mehldau Trio Live, cd duplo, gravado no Village Vanguard, NYC,
6. Lovers in an upstairs room (1788), de Utamaro Kitagawa (1754-1806), 
L'avion a tardé a décoller, il y avait des tempêtes de neige dans beaucoup d’aéroports européens et j'ai perdu la connexion à Paris; pour empirer, ils m'ont envoyé à Buenos Aires. Mais j'ai aimé arriver chez moi à minuit, après cette odyssée.
J'ai tourné la clé, tout était silencieux. Les rideaux étaient ouverts, une lumière dramatique rentrait par la fenêtre et dessinait des ombres étirées sur le plancher. J'ai avancé dans cette pénombre avec une sensation de paix que je n'essayais pas depuis longtemps. J'ai allumé la lampe de la salle, le répondeur automatique clignait, je n'ai pas voulu écouter les messages pour ne pas casser le sortilège de ce moment.
Tu dormais, j'ai entendu ta respiration profonde, mais dès que je suis rentrée dans la chambre, tu t'es réveillé. Je n’ai rien dit, tu es resté aussi en silence. C'était comme les tempêtes de neige: le vent soufflait dans nos oreilles sourdes et nous sommes restés congelés par quelques secondes qui nous ont semblé des heures.
Quem gosta de sebos sempre tem uma história pra contar. Raridades que encontrou, pechinchas que conseguiu ou perdeu, tipos estranhos que viu, uma amizade que fez, um amor que conheceu. Por falta de tempo, frequento pouco os sebos, bem menos do que desejaria. Talvez seja por isso que esta história, acontecida há alguns anos, tenha acontecido num ambiente virtual.
Nasci e sempre morei
Enviei, então, um e-mail a um sebo virtual que trabalhava com edições raras: o responsável pelos pedidos me respondeu, muito atencioso. Ao explicar que teria de ser a edição da Civilização Brasileira, "aquela que tem na capa o desenho de um homem de costas, com orelhas de lobo", ele respondeu: "É a 3ª edição, de 69. Realmente, a capa é muito original." Na verdade, eu nem sabia a edição; pareceu-me errada a data, muito antiga (69?), mas, impressionada com a convicção do livreiro, acreditei. Trocamos vários e-mails, por mais de um mês. Ele parecia entender a minha angústia por ter perdido o livro. Solidário, disse que O lobo também era um dos seus preferidos; pediu que eu tivesse paciência, que iria achá-lo logo. Eu queria acreditar, e acreditava. Suas mensagens tinham um tom familiar, quase carinhoso. Na minha fantasia, sentia-o quase como um amigo; imaginava-o com roupas antiquadas e dono de uma história singular: alguém que recusou um emprego promissor numa multinacional para terminar um doutorado sobre lírica latina e que ganhava a vida caçando livros antigos para doentes em literatura. Lembrei daquele filme, Nunca te vi, sempre te amei, sobre um livreiro (Anthony Hopkins) que, por anos a fio, troca cartas com uma escritora (Anne Bancroft). Terrivelmente triste, o filme. Lembro ter derramado algumas lágrimas no final. Já havia perdido a esperança de que o livro seria encontrado, quando recebo um e-mail: “Encontramos o livro solicitado, O lobo da estepe, de Hermann Hesse. Por favor, confirme seu interesse e se ainda deseja que o enviemos. Atenciosamente...”. Frio, burocrático. Se ainda desejo o livro? Eu aguardava ansiosamente, sofrendo todo aquele tempo, ele não sabia? Sabia. Aquela mensagem era um rompimento, irremediável. Confirmei o pedido, fiz o depósito, recebi o livro em dois dias, encapado com papel manteiga, envolto em plástico bolha, dentro de uma caixa de papelão. Eficientíssimo.
Não falei mais com o insensível livreiro. O Lobo? Está sempre ao lado de minha mesa de trabalho, como um cachorro fiel. Nunca me decepcionou.


Caipirinha vestida por Poiret
A preguiça paulista reside nos teus olhos
Que não viram Paris nem Piccadilly
Nem as exclamações dos homens
Em Sevilha
À tua passagem entre brincos
Locomotivas e bichos nacionais
Geometrizam as atmosferas nítidas
Congonhas descora sob o pálio
Das procissões de Minas
A verdura no azul klaxon
Cortada
Sobre a poeira vermelha
Arranha-céus
Fordes
Viadutos
Um cheiro de café
No silêncio emoldurado
Morro da Favela (1924)
Anjos (1924)
A Lua (1928)
Esse é o trecho de que mais gosto do livro. Descrições simultâneas, físicas ou de pensamentos; o passado misturado ao presente; os versos da canção Pequeña serenata diurna, de Silvio Rodríguez: múltiplos elementos que se contrapõem e criam um efeito de caleidoscópio, de grande riqueza lingüística e sensorial. Ninguém escreve como Lobo Antunes.

Naquele ano de 1968, passei o Natal em cana.
Não diria que foi um Natal festivo, mas, dentro das possibilidades, eu e meus companheiros de prisão tratamos de fazer jus à data, gozando a situação em que nos encontrávamos. No nosso xadrez -o X 3- havia oito presos, Paulo Francis, eu e mais seis; no xadrez ao lado, estavam, além de Caetano Veloso e Gilberto Gil, vários jovens, entre os quais um que se chamava Perfeito Fortuna, o líder deles. Pela grade da janela, que dava para os fundos da prisão, nos comunicávamos com nossos vizinhos que não paravam de inventar encrencas e cantar. Já minha preocupação era por ordem em nosso convívio e achar um jeito de encher o tempo. Daí ter proposto que cada um contasse coisas interessantes de sua vida, relacionadas ou não com a luta política.
Uma das figuras mais curiosas do grupo era um sujeito alto e ossudo que se chamava Antônio Calado, homônimo do escritor e que, devido a isso, tinha sido preso. Quando soube que eu conhecia o romancista, implorou-me para dizer aos militares que ele não era o outro Callado. Mas como atendê-lo se até aquele momento estávamos todos incomunicáveis? Quando, dias depois, fomos levados um a um ao interrogatório, pude fazer o que me pedira. Disse maldosamente ao oficial que me interrogava: "Ele se parece tanto com o escritor Antônio Callado quanto um jabuti se parece com um lápis". O oficial me fitou irritado mas, no dia seguinte, mandou soltá-lo.
Fui preso no dia 13 de dezembro, em minha casa, no começo da noite, por um oficial do Exército, que se tornou mais tarde conhecido como um dos chefes do jogo do bicho no Rio de Janeiro: o capitão Guimarães. Eu e Teresa estávamos nos preparando para ir ao cinema, junto com Vianinha, João das Neves e Pichín Plá, nossos companheiros do Grupo Opinião. João e Pichín já haviam chegado. Quando soou a campainha da porta, fui abrir pensando que era o Vianinha, mas deparei-me com dois soldados do Exército.
- É aqui que mora o senhor Ferreira Gullar?
- Do que se trata?
- É o senhor?
- Sou eu mesmo, mas do que se trata?
- Tenho um ordem de prisão contra o senhor -disse o capitão, forçando a entrada.
Neste instante, Teresa chegou à sala. Ao tomar conhecimento da situação, perguntou ao oficial.
- O senhor tem uma ordem de prisão?
- A ordem é verbal. Ele está preso.
- Mas isso é ilegal, disse ela.
A televisão estava ligada e nela apareceu a figura do ministro da Justiça lendo um documento.
- Escute, falou o capitão, apontando para a televisão.
O ministro lia o Ato Institucional n.º.5, que suspendia todos os direitos constitucionais do cidadão. João das Neves e Pichín Plá assistiam àquilo apavorados, temendo que sobrasse para eles, já que estávamos todos num mesmo barco. Nossa preocupação era agora com o Vianinha, que poderia estar sendo procurado também.
- Vamos inspecionar a casa, disse o capitão, e se encaminhou para o corredor.
João e Pichín aproveitaram para dar o fora.
- Fiquem esperando pelo Vianinha lá embaixo e avisem a ele, adverti eu.
Os dois saíram. Eu entrei na cozinha, abri a geladeira e joguei dentro dela minha caderneta de endereços, a fim de que não caísse nas mãos dos milicos. Em seguida, sussurrei a Teresa que, depois que me levassem, telefonasse para Mário Cunha, na sucursal do "Estadão", informando de minha prisão.
Enquanto isso, eles vasculhavam a casa mas, ao tentarem entrar no quarto dos meninos, Luciana, minha filha, que tinha então 13 anos, os impediu e fechou-se no quarto. A mando da Teresa, ela tinha levado para lá alguns exemplares do jornal do Partido.
O capitão, então, voltou-se para a estante do corredor e começou a catar ali os livros que supostamente serviriam para me inculpar. Ele ia olhando a capa dos livros e os devolvendo à estante. Como ali estavam os livros sobre arte, a sua busca era infrutífera. Até que se deparou com uma pasta, abriu-a e sorriu satisfeito. Tinha encontrado o que buscava. Chamou o soldado e entregou-lhe a pasta.
- Isto vamos levar, disse ele ao soldado.
Eu, que tinha reconhecido a pasta, aproximei-me:
- Por que vai levar? São os originais de um livro meu sobre arte.
- Sobre arte?, disse ele ironicamente- Sei...
De fato, eu havia reunido ali uma série de artigos que publicara, anos atrás, no Suplemento Dominical do "Jornal do Brasil", sobre os movimentos da arte contemporânea e pusera o seguinte título: "Do Cubismo à Arte Neoconcreta". Deveria entregar aqueles originais, na semana seguinte, à Editora Ler.
Inutilmente tentei explicar ao capitão que aqueles artigos nada tinham a ver com política. O soldado os levou junto com livros e revistas considerados subversivos. Só depois de algum tempo entendi o motivo daquela decisão. Ele achou que a palavra "cubismo" dizia a respeito a Cuba.
E essa foi a anedota que nos fez rir muito naquela noite de Natal que passamos no xadrez da Vila Militar.
[publicada na Folha de São Paulo, em 25/12/2005]

Este é para mim um dos mais perfeitos e belos poemas da nossa língua, se não for o mais perfeito e belo.
Não que eu conheça poemas suficientes para poder afirmar isso - ainda pretendo conhecer muitos! -, mesmo assim algo me diz que dificilmente mudarei de opinião.
Foi como um amor maduro, que se constrói aos poucos: não gostei dele facilmente, não foi um encantamento à primeira vista. Eu o conheci ainda menina e o achei bonito, muito mesmo, mas rejeitei seus imperativos, sua aparente racionalidade
Fui conquistada quando estava pronta para ele, depois de idas e vindas, desprovida de orgulho, aberta ao riso e à dor. Pareceu-me outro, não o reconheci - nem ele a mim. Daí em diante, ficou comigo. E ficará.
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

"Ivan Ilitch via que estava morrendo, e o desespero não o largava mais. Sabia, no fundo da alma, que estava morrendo, mas não só não se acostumara a isto, como simplesmente não o compreendia, não podia de modo algum compreendê-lo.
O exemplo do silogismo que ele aprendera na Lógica de Kiesewetter: Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal, parecera-lhe, durante toda a sua vida, correto somente em relação a Caio, mas de modo algum em relação a ele. Tratava-se de Caio-homem, um homem em geral, e neste caso era absolutamente justo; mas ele não era Caio, não era um homem em geral, sempre fora um ser completa e absolutamente distinto dos demais; ele era Vânia, com mamãe, com papai, com Mítia e Volódia, com os brinquedos, o cocheiro, a babá, depois com Kátienka, com todas as alegrias, tristezas e entusismos da infância, da juventude, da mocidade. Existiu porventura para Caio aquele cheiro da pequena bola de couro listada, de que Vânia gostara tanto?! Porventura Caio beijava daquela maneira a mão da mãe, acaso farfalhou para ele, daquela maneira, a seda das dobras do vestido da mãe? Fizera um dia tanto estardalhaço na Faculdade de Direito, por causa de uns pirojki? Estivera Caio assim apaixonado? E era capaz de conduzir assim uma sessão de tribunal?
E Caio é realmente mortal, e está certo que ele morra, mas quanto a mim, Vânia, Ivan Ilitch, como todos os meus sentimentos e idéias, aí o caso é bem outro. E não pode ser que eu tenha de morrer. Seria demasiadamente terrível.
Era assim que ele sentia."
[A morte de Ivan Ilitch, de Leon Tolstói, tradução de Boris Schnaiderman, Ed. 34, 2006]
Leon Tolstói é considerado, ao lado de Dostoiévski e Tchekhov, um dos grandes escritores russos. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz - visão épica da sociedade russa, entre 1800 e 1815, com uma filosofia extremamente otimista, apesar de atravessar os horrores da guerra - e Ana Karenina; os dois romances são sempre apontados entre as principais obras da literatura universal. Há que considere, no entanto, A morte de Ivan Ilitch sua verdadeira obra-prima.
"Os únicos momentos desconfortáveis eram à noite, quando caminhavam juntos ao longo da praia. O mar escuro a rugir imponente e o céu a esbanjar estrelas faziam Phoebe entrar em êxtase, porém o assustavam. A abundância de estrelas lhe dizia de modo inequívoco que ele estava fadado a morrer, e o trovão do mar a poucos metros de distância - e o pesadelo daquele negrume mais negro sob o frenesi das águas - lhe davam vontade de fugir correndo daquela ameaça de aniquilamento para a casinha de raia acolhedora, iluminada e quase sem móveis. Não era assim que ele encarava a imensidão do mar e do céu noturno no tempo em que servira bravamente a marinha, logo depois da guerra da Coréia - naquela época, mar e céu não eram para ele sinos fúnebres. Não conseguia entender de onde vinha aquele medo, e precisava de todas as suas forças para ocultá-lo de Phoebe. Por que estaria inseguro sobre sua vida, justamente agora que a dominava mais que em qualquer outro momento dos últimos anos? Por que se imaginava próximo da extinção quando um raciocínio tranqüilo e objetivo lhe dizia que ainda tinha muita vida sólida pela frente?"
[Homem comum, de Philip Roth, tradução de Paulo Henriques Britto, Companhia das Letras, 2007]
Qual a razão dos dois trechos reunidos aqui? Tolstói e Roth tratam de maneira absolutamente fascinante um tema que, a princípio, todos evitamos: a perspectiva da nossa própria morte. Os protagonistas de seus livros são muito diferentes entre si, distantes no tempo e no espaço, mas têm em comum o fato de não aceitarem a precariedade da vida, o fato de caminharmos inapelavelmente para o fim. O que devia nos tornar extremamente solidários, embora nem sempre isto aconteça.
Roth constrói com mordacidade mas também com um certo lirismo um personagem sem nome pelo qual a princípio não sentimos empatia - um publicitário que vive a trair suas mulheres e a enfrentar uma sucessão de problemas de saúde. A justificativa para a nossa rejeição talvez seja por não aceitarmos o fato de que também somos comuns - como ele - e que podemos perecer, a qualquer momento.
Além de caminharem em território semelhante, a narrativa extremamente envolvente e a sua percepção aguda do comportamento humano trazem à lembrança Tolstói e seu inesquecível Ivan Ilitch.
Philip Roth nasceu em Newark, Nova Jersey, em 1933. Escreveu mais de 20 romances e é considerado um dos maiores escritores americanos da atualidade. Venceu por três vezes o prêmio literário PEN/Faulkner. É autor de, entre outros, Complexo de Portnoy, A marca humana, O animal agonizante e Complô contra a América. Sua obra, de momentos extremamente confessionais, suscita freqüentemente discussões sobre o que é ficção e o que é real em suas histórias.
Em 2005, numa de suas raras entrevistas, Roth disse que o público para literatura não existia mais, apesar de termos ótimos escritores e de os livros continuarem a ser escritos. "Acho que uma sociedade sem literatura será ruim, a literatura é uma das coisas boas da civilização. Mas as pessoas vão ficar bem sem livros, aliás elas não querem mais livros", declarou. É só sair do mundo restrito das Letras e das Artes em geral ou olhar para a nova geração para ver que ele tem razão. Ou não?
Paulo Henriques Britto
DE "TRÊS EPIFANIAS TRIVIAIS"
II
As coisas que te cercam, até onde
alcança tua vista, tão passivas
em sua opacidade, que te impedem
de enxergar o (inexistente) horizonte,
que justamente por não serem vivas
se prestam para tudo, e nunca pedem
nem mesmo uma migalha de atenção,
essas coisas que você usa e esquece
assim que larga na primeira mesa —
pois bem: elas vão ficar. Você, não.
Tudo que pensa passa. Permanece
a alvenaria do mundo, o que pesa.
O mais é enchimento, e se consome.
As tais Formas eternas, as Idéias,
e a mente que as inventa, acabam em pó,
e delas ficam, quando muito, os nomes.
Muita louça ainda resta de Pompéia,
mas lábios que a tocaram, nem um só.
As testemunhas cegas da existência,
sempre a te olhar sem que você se importe,
vão assistir sem compaixão nem ânsia,
com a mais absoluta indiferença,
quando chegar a hora, a tua morte.
(Não que isso tenha a mínima importância.)
[In Macau, Companhia das Letras, 2003]

Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água."
[Cortázar, Julio - O jogo da amarelinha, tradução de Fernando de Castro Ferro, capítulo 7 - talvez o trecho mais conhecido do livro.]






O cineasta americano David Lynch - aqui em uma foto tirada por ele mesmo - dirigiu, entre outros filmes, Veludo Azul, A Estrada Perdida, Twin Peaks, Cidade dos Sonhos e Império dos Sonhos, este último exibido recentemente na 31ª Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo. Premiado em Cannes, inúmeras vezes indicado ao Oscar e outras premiações importantes do cinema, o diretor recebeu no ano passado um Leão de Ouro no Festival de Veneza pelo conjunto de sua obra cinematográfica.