segunda-feira, 29 de junho de 2009
michael não morreu
Billie Jean foi lançada em 1983, no álbum Thriller, tornando-se o maior sucesso de MJ de todos os tempos, top one em todos os países em que foi divulgada, apenas algumas semanas depois. A produção musical é de Michael e Quincy Jones, uma parceria que rendeu sucessos memoráveis. Michael compôs cada linha instrumental, acompanhou e fez sugestões na escolha e na execução de cada instrumento, gravou ele mesmo todos os vocais - sendo o principal deles gravado num único take.
Para quem, como eu, cresceu ao ritmo de suas canções, conheceu a primeira geração do videoclip tentando imitar seus passos e viu tantos artistas influenciados por ele, é o fim trágico de uma era. Mas não de sua música. Esta, acreditem, não morreu.
****
E pra acabar de uma vez com a tristeza, assistam a este vídeo hilário de Steve Martin numa paródia ao clip Billie Jean. Martin passou um aperto para gravá-lo, como conta aqui.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Feeling good - ou quase
Feeling Good, My Brightest Diamond, do álbum Dark was the night, 4ad Records.
Essa música já foi gravada por Nina Simone, John Coltrane, George Michael, Sammy Davis Jr. e dezenas de outros intérpretes.
Apesar do título, quando a escuto, bate uma inevitável melancolia.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
parabéns, Chico




Chico compositor, Chico escritor, Chico jogador de futebol, Chico pai, Chico avô, Chico brasileiro, Chico homem, Chico menino.
Todos eles fazem aniversário hoje.
sábado, 17 de maio de 2008
sete desejos em maio
1. Moby Dick, de Herman Melville, Edit. Cosac Naify,tradução de Irene Hirsch e Alexandre Barbosa de Souza,
com fortuna crítica, capa dura, 656 páginas, 15 ilustrações.
2. O sonho dos heróis, de Adolfo Bioy Casares, escritor argentinoadmirado por Borges e Cortázar, tradução de José Geraldo Couto,
Editora Cosac Naify, capa dura, 240 páginas.
capa dura, 24 páginas.
4. Austerlitz, de W. G. Sebald, escritor que desafia os limites da ficção, misturando relatos de viagem, memória, filosofia e fotografia.
Companhia das Letras, tradução de José Marcos de Macedo, 288 páginas.
5. Brad Mehldau Trio Live, cd duplo, gravado no Village Vanguard, NYC,em outubro de 2006. Ouça 3 faixas no site oficial.
6. Lovers in an upstairs room (1788), de Utamaro Kitagawa (1754-1806), 369 x 255 cm, atualmente no British Museum, Londres.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
PIAF - a vida que daria um filme

Ela tinha apenas 1,47 de altura, um aspecto doentio e cabelos escassos. Mas sua voz tornou-a um mito: quando cantava, era como um facho de luz que atingia a todos, sem distinção.
Não tem como não nos emocionarmos: o filme é fantástico, a interpretação de Marion Cotillard é inacreditável, as músicas são lindas e nostálgicas; o clima noir e a construção narrativa - alternando tempos e espaços diferentes da vida trágica de Edith Piaf - são uma aula de cinema. Não foi por acaso que, depois da estréia, houve na França uma verdadeira febre Piaf, com reedições de todos os tipos, biografias e caixas com CDs da cantora.
O mais incrível é sentir, na voz tão cheia de emoções de Piaf, que as canções antigas se tornam presentes, vivas, mesmo 60 anos depois. Essa habilidade de transportar sentimentos através do tempo, é o que atesta o poder da música: toda vez que ouvimos uma grande canção, ou aquela que tem um significado especial para nós, somos transportados a outro mundo; sentimos conforto ou angústia, revivemos emoções esquecidas, saímos da rotina, lembramos de nossos sonhos.
Fazia tempo que eu não chorava assistindo a um filme. Quebrei minha série invicta de vários anos, ao vê-la cantando, na última cena, Non, je ne regrette rien - uma grande canção. Disfarçadamente, como muitos que demoraram a levantar de suas poltronas, fiquei lendo os créditos.
http://www.edithpiaf.com.br
domingo, 7 de outubro de 2007
frisson na música pop

Radiohead, o grupo inglês que lançou em 1997 OK Computer, álbum considerado um dos mais influentes e inovadores da história da música pop - só perdendo para Sgt. Pepper's -, está causando um verdadeiro frisson e deixando seus fãs numa expectativa doentia. Desde 1º de outubro, as comunidades do Orkut da banda no mundo inteiro fervem com comentários e informações sobre o assunto. E na mídia, uma enxurrada de artigos comentam a novidade: Time, NME, Blitz (Portugal), Folha de São Paulo, Estadão, só pra citar alguns. Dos que li, o mais completo foi o da revista Carta Capital :
Carta Capital, Edição 465 - 05/10/2007
A revolução comercial do Radiohead
por Felipe Marra Mendonça
O que começou com um simples anúncio num blog promete estabelecer um novo paradigma no mercado da música digital
Jonny Greenwood, guitarrista da banda inglesa Radiohead, escreveu na segunda-feira 1º, no blog do grupo, a seguinte mensagem: “Olá a todos. Bem, terminamos o novo disco e ele sai em dez dias. Nós o chamamos de In Rainbows. Um abraço de todos nós”.
O link contido no nome do novo álbum leva para um site (www.inrainbows.com), onde é possível comprá-lo em duas versões, discbox e download. A primeira é física. Os fãs que pagarem cerca de 160 reais vão poder baixar o álbum a partir de 10 de outubro e depois receber uma caixa com a gravação em CD e dois discos de vinil, além de um segundo CD com novas músicas, fotografias, artes e um livro de capa dura.
A segunda, download, é revolucionária nem tanto pelo conteúdo, mas pelo conceito que inaugura. O usuário pode baixar o disco inteiro e pagar o que considerar justo. Se nada pagar, o site cobra uma taxa administrativa pela transação de 1,70 real. A banda chega a esclarecer o conceito para consumidores mais incrédulos: “O preço é com você, de verdade, é o que você quiser”.
Isso acontece num mercado em que as vendas físicas caíram depois da combinação entre a popularização de gravadores de CDs em computadores e a massificação do acesso à internet. Houve uma queda de quase 5%, nos EUA, em 2006. Em contraste, as vendas de música digital aumentaram 65%, com 582 milhões de faixas e mais de 33 milhões de discos vendidos, mais do que o dobro do ano anterior, segundo a Nielsen Soundscan.
O interesse por In Rainbows foi tanto que o site ficou lento e Greenwood, o guitarrista, deixou um recado informando que estava tudo congestionado, “mais movimentado do que eles (os técnicos) esperavam. Então, por favor, tenham paciência conosco, tudo deve ficar normal rapidamente. Sei que pareço um segurança. Fiquem por trás dos cordões de isolamento. Obrigado pela paciência e pelo interesse no disco”.
Ao final do primeiro dia de vendas, mais pessoas tinham comprado a versão física do que a versão virtual, o que indica a fidelidade dos fãs que aguardavam há mais de quatro anos pelo novo lançamento. Um porta-voz da banda disse que a motivação principal era conseguir fazer com que as novas músicas chegassem aos fãs de modo mais rápido do que os três ou seis meses pedidos pelas gravadoras para orquestrar um lançamento comercial.
A imprensa britânica acredita que o Radiohead deve superar o modelo de contrato com gravadoras (tendo terminado o antigo acordo com a EMI) e “estabelecer um valor monetário na apreciação do público pela arte”. E mais: 1º de outubro foi “o dia da morte das gravadoras”.
A banda tinha se recusado a entrar na loja virtual de músicas da Apple, a iTunes Store, por acreditar que a prática de vender faixas quebrava a integridade artística de um álbum inteiro.
Resta agora ver que tipo de reação o lançamento de In Rainbows deve gerar no mundo digital. Se os usuários pagarem um “preço justo” pelo disco, outros artistas talvez se rendam finalmente à música digital, como os Beatles, cujos membros sobreviventes ainda não dispuseram seu catálogo para venda on-line.
Eu comprei o meu download por 1 libra. Achei um preço justo. E vc, quanto se dispõe a pagar?

domingo, 26 de agosto de 2007
a vida às vezes é doce
Quem me conhece sabe que troco qualquer programa por outro que envolva música. E nem precisa me conhecer bem, pra saber que sou tiete do Lobão: basta ver o nome do blogue.
Domingo apertado, muito trabalho acumulado, mas tinha show - do Lobão! E ao meio-dia, o que não combina muito com ele - nem comigo. Eu fui, claro.
Foi muito legal: ele é uma figuraça. Além de sempre ter gostado muito de suas músicas, admiro sua coragem e independência. E o fato de ter sobrevivido. Muitos artistas da geração dele, como seus parceiros Júlio Barroso e Cazuza, não o conseguiram.
Mas ele está aí, mais vivo que nunca e com uma energia incrível. Como nos velhos tempos. Tempos de que a letra de “Vou te levar” me faz lembrar:
Pensar em tudo que se passou, que se pôde sonhar e não realizou
A vida tentando escapar, mas não por agora
Ao mesmo tempo tanta coisa se amou, se refez, se perdeu, se conquistou,
Retratos estampados do nosso amor, em preto e branco, pregados na parede,
Revelando pra sempre a gente, nosso orgulho um do outro, olhando pra lente
como quem dissesse "não queremos mais nada nesse mundo"
e que me lembrasse a cada instante que valeu a pena cada lance
e valerá, tenha certeza, pra toda a vida.
Vou levar, vou te levar
pra onde for, vou te levar
Aos que o criticam de ter se rendido ao mainstream, por ter feito o Acústico na MTV e ter voltado ao esquema profissional das gravadoras, ele tem uma resposta pronta, da qual fazem parte alguns palavrões impublicáveis. É isso aí, cara.
sábado, 28 de julho de 2007
vozes femininas

Tenho fases. Todos têm fases, acho eu. Bem, talvez Bentinho, de Dom Casmurro, não as tivesse, irredutível até o final em sua casmurrice. Já a indecifrável Capitu, quem pode dizer?
Essa introdução bobinha é só pra dizer que estou numa fase de cantoras. Fase musical, convém esclarecer. Há um tempo atrás, - e quando digo tempo, estou dizendo muito tempo: anos, décadas - eu só gostava de cantores. Sei lá a razão dessa fixação masculina. Talvez por que naquela época, de vozes femininas, bastavam e sobravam as da minha família: três irmãs, mãe, tias, primas, na maioria das vezes falando e cantando ao mesmo tempo.
Quando eu me trancava no quarto e colocava um LP (o vinil) no toca-discos, queria ouvir uma voz masculina, um vocalista de uma banda de rock, ou mesmo um tom grave e calmo em uma canção de jazz. Não era pela ausência de boas cantoras, mas eu gostava mesmo dos cantores: Elton John, Joe Cocker, Eric Clapton, Rod Stewart, Lennon & McCartney. E os vocalistas como Jon Anderson (Yes), Phil Collins (Genesis), Roger Waters (Pink Floyd), Robert Plant (Led Zeppelin), Freddie Mercury (Queen) refletiam quão masculino - pelo menos na certidão de nascimento - era o território do rock.
Quando passei a morar sozinha, uma das melhores coisas era colocar o som bem alto e não ter alguém pra reclamar. Acho que tive sorte, os vizinhos do apartamento ao lado deviam ser surdos ou então, tinham o mesmo gosto musical que eu: nunca se queixaram das canções de Sting, George Michael, Chet Baker, João Gilberto, Tim Maia, Chico Buarque ou Lobão, tocadas a todo volume.
Foi a época do boom dos cd's. Eu vivia nas lojas, ouvindo os álbuns, antes de comprá-los - não existiam kazaas e e-mules para facilitar a vida da gente. O dinheiro do salário era contado e separando o que ia para as despesas da casa não sobrava muito para cd's. Mas eu sempre acabava comprando algum quando entrava na Hi-Fi do Iguatemi, naquele tempo um shopping bacana para a classe média, onde ainda se podia comprar uma bolsa ou um par de sapatos sem deixar dez salários mínimos numa loja. Mesmo assim, eu continuava passando longe da seção das cantoras.
Não sei quando isso começou a mudar. Só me dei conta há pouco tempo que hoje passo a maior parte do dia ouvindo canções interpretadas por... mulheres! Francesas, como Charlotte Gainsbourg, Coralie Clément, Keren Ann e Françoise Hardy ou inglesas, como Corinne Bailey Rae e Joss Stone. Redescobri Sarah Vaugham, Nina Simone, Annie Lennox, Gal Costa, Bebel Gilberto. Voltei à Elis, à Rosa Passos. Talvez um terapeuta diga que "comecei ouvir a mim mesma e que essas figuras femininas são como porta-vozes daquilo que sempre quis exteriorizar" - ah... acho que comecei a divagar.
O fato é que a cada dia admiro mais as interpretações femininas. A mais recente descoberta foi a brasileira de raízes cubanas Marina de la Riva, cujo cd é um primor. É dela que quero falar um pouco mais. Foi o amigo Thiago Candido - garimpador incansável de discografias - quem me mandou o link para baixar o álbum, tão logo ele foi lançado. Se estivéssemos ainda nos tempos dos LP’s, eu diria que estou 'furando o disco' de tanto escutá-lo.
A faixa que resume o álbum, e talvez por isso o apresente, é a primeira: Tin tin deo, uma saborosa rumba misturada ao Xote das meninas, de Luiz Gonzaga. No meio de tudo, o arranjo genial, que tem até berimbau: demais. Maravilhosas as românticas, Tengo un nuevo amor e Drume negrita. E Si llego a besarte é puro Chet Baker! Não faltam participações de artistas cubanos e de brasileiros: Chico Buarque dá o seu aval na faixa Ojos Malignos, o guitarrista e divo Davi Moraes toca em várias músicas, além de assinar os arranjos. As recriações de Sonho meu e Ta-hí têm uma marca bem pessoal, completamente na contramão das originais. Gosto muito desse diálogo entre diferentes gêneros e épocas. Difícil saber qual faixa é a melhor.
Vale a pena ver os vídeos da Marina no Youtube, como também baixar ou comprar o cd. E depois, ouvir a todo volume. A não ser que seus vizinhos reclamem, claro.
domingo, 15 de julho de 2007
Eterna discussão
Transcrevo aqui um artigo do Antonio Cícero -poeta e letrista de canções da irmã Marina Lima, João Bosco, Lulu Santos, Adriana Calcanhoto, entre outros- publicado no caderno Ilustrada, Folha de São Paulo, em 16 de junho de 2007.
Letra de canção e poesia - Antonio Cícero
Como escrevo poemas e letras de canções, freqüentemente perguntam-me se acho que as letras de canções são poemas. A expressão "letra de canção" já indica de que modo essa questão deve ser entendida, pois a palavra "letra" remete à escrita. O que se quer saber é se a letra, separada da canção, constitui um poema escrito.
"Letra de canção é poema?" Essa formulação é inadequada. Desde que as vanguardas mostraram que não se pode determinar a priori quais são as formas lícitas para a poesia, qualquer coisa pode ser um poema. Se um poeta escreve letras soltas na página e diz que é um poema, quem provará o contrário?
Neste ponto, parece-me inevitável introduzir um juízo de valor. A verdadeira questão parece ser se uma letra de canção é um bom poema. Entretanto, mesmo esta última pergunta ainda não é suficientemente precisa, pois pode estar a indagar duas coisas distintas: 1) Se uma letra de canção é necessariamente um bom poema; e 2) Se uma letra de canção é possivelmente um bom poema.
Quanto à primeira pergunta, é evidente que deve ter uma resposta negativa. Nenhum poema é necessariamente um bom poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo, nenhuma letra é necessariamente um bom poema. Mas talvez o que se deva perguntar é se uma boa letra é necessariamente um bom poema. Ora, também a essa pergunta a resposta é negativa. Quem já não teve a experiência, em relação a uma letra de canção, de se emocionar com ela ao escutá-la cantada e depois considerá-la insípida, ao lê-la no papel, sem acompanhamento musical?
Não é difícil entender a razão disso. Um poema é um objeto autotélico, isto é, ele tem o seu fim em si próprio. Quando o julgamos bom ou ruim, estamos a considerá-lo independentemente do fato de que, além de ser um poema, ele tenha qualquer utilidade. O poema se realiza quando é lido: e ele pode ser lido em voz baixa, interna, aural. Já uma letra de canção é heterotélica, isto é, ela não tem o seu fim em si própria. Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa. Em outras palavras, se uma letra de canção servir para fazer uma boa canção, ela é boa, ainda que seja ilegível. E a letra pode ser ilegível porque não é feita para ser lida, mas ouvida, de modo que as questões que preocupam o letrista dizem respeito à prosódia isto é, à adaptação da letra à melodia, e ao diálogo daquela com a harmonia, o ritmo, o tom, o colorido da peça musical em questão: dizem respeito, isto é, não ao texto escrito, mas à ligação orgânica do discurso oral com a música da canção.
Mas isso, em última análise, ainda não é tudo. A letra se realiza na canção, mas a canção só se realiza plenamente quando interpretada, isto é, quando cantada e ouvida. Ora, como Luiz Tatit mostra em seu belíssimo livro "O Cancionista", "no mundo dos cancionistas não importa tanto o que é dito, mas a maneira de o dizer, e a maneira é essencialmente melódica". Será sem dúvida por isso que podemos perfeitamente apreciar cantores a cantar canções em línguas que não entendemos. E Tatit observa que, para João Gilberto, por exemplo, "o texto ideal é levemente dessemantizado, quase um pretexto para se percorrer os contornos melódicos dizendo alguma coisa (afinal, a voz, por ser voz, deve sempre dizer alguma coisa)". Em suma, uma boa letra de canção não é necessariamente um bom poema.
A resposta para a segunda pergunta, por outro lado -isto é, se uma letra de canção é possivelmente um bom poema- é evidentemente positiva. Os poemas líricos da Grécia antiga e dos provençais eram letras de canções. Perderam-se as músicas que os acompanhavam, de modo que só os conhecemos na forma escrita. Ora, muitos deles são considerados grandes poemas; alguns são enumerados entre os maiores que já foram feitos. Além disso, nada impede que um bom poema, quando musicado, se torne uma boa letra de canção.
Para dizer a verdade, o que nos intriga hoje é que haja tantos grandes poemas entre as letras gregas e provençais e tão poucos entre as modernas. Entretanto, a leitura do livro "Letra Só", de Caetano Veloso -que contém tantos grandes poemas que são também letras de canções-, fez-me pensar melhor sobre essa questão. Para o punhado de poemas de Safo, por exemplo, que nos chegaram, dentre os quais meia dúzia de obras-primas, quantos milhares de letras de canções não tiveram que ser escritos e esquecidos na Grécia antiga?
Realmente, uma eterna discussão. Particularmente, acho que o suporte do papel - e cada vez mais, o da tela - é o que mais enriquece a poesia. Quando lemos um poema, em silêncio ou em voz alta, não são mais as palavras do poeta que estamos lendo: elas já são as nossas palavras, já entraram em nossas mentes, beberam dos nossos sentimentos e quando saem de nós, estão impregnadas deles, sem volta. O mesmo poema é um poema diferente, dependendo de quem o lê e de quem o ouve. Essa é a verdadeira riqueza da poesia.

