Faz tempo que não posto aqui. Falta de assunto não foi. Nesses tempos agitados, eles pululam como cogumelos num ambiente quente e úmido ou, numa comparação mais atual, como diplomas de doutores em certas faculdades pagas. A ausência bem pode ter sido consequência da ressaca pós-final-de-semestre da faculdade, ressaca violenta de um porre violento de trabalhos e provas, coisa inumana mesmo. Mas já me recuperei: pronta pra outras.
Como disse, assuntos não faltaram. Memes, também não: recebi alguns deles nessas últimas semanas. O meme, que originalmente tinha uma definição puramente técnica e que em relação à memória seria o análogo cultural do que é o gene em relação à genética - uma unidade mínima de informação -, com o tempo foi saindo desse contexto e trafegando, por exemplo, pela publicidade. A idéia principal é a de imitação, a informação passando de cérebro para cérebro. As frases e os jingles que não nos saem da cabeça, os modismos - usar o boné com a aba virada para a nuca: quem começou? - a tecnologia, as invenções, os provérbios, os aforismos, todos são exemplos de memes. Um dos mais conhecidos na internet é o Hampster Dance - difícil encontrar alguém que não tenha visto.
No conceito atual, o meme continua ligado à replicação, à propagação de idéias, mas na blogosfera, esse mundinho tremendamente viciante e encantador, tornou-se sinônimo de algo um pouco diferente: uma cadeia, na qual uma pessoa partilha um conhecimento pessoal e nomeia outros blogues para fazer o mesmo. Os temas são muitos: "Por que você bloga?", "Escreva sobre fatos importantes na sua vida", e por aí vão.
Nem sempre são criativos, alguns fazem perguntas à la Questionário de Proust. Mas como disse o Manoel Carlos, numa crônica sobre o citado questionário: "No fundo, no fundo, é pura bisbilhotice. Por isso mesmo, muito divertido."
Pete e Babi: agradeço por se lembrarem de mim, fiquei mesmo lisonjeada. E citando um meme: "Devo, não nego; pago quando puder". Foi péssimo, eu sei.
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sábado, 22 de setembro de 2007
domingo, 19 de agosto de 2007
eu não ia postar hoje
No meio de um trabalho de Língua Francesa, paro, procurando inspiração e descanso em sites de leitura indispensável. Ao ler os blogues, sinto-me como se visitasse amigos, embora de algumas casas nunca tenha visto os donos. Para minha surpresa, descubro que meu blogue foi citado no Digestivo Cultural. Uma gentileza do editor, Julio Daio Borges, que um dia espero conhecer pessoalmente. Julio recentemente escreveu um artigo muito interessante sobre literatura e internet, no caderno Link, do Estadão.
Leio sempre o Digestivo Cultural - revista cultural eletrônica que alcança o impressionante número de 339 mil leitores no mês - mas confesso que nunca consigo degustá-lo integralmente: a eterna questão da falta de tempo. Só fui ler o post um mês depois.
Considero-me ainda uma alienígena nessa blogosfera: caí aqui nem sei como, há uns três meses, e ainda estou reconhecendo o terreno, aprendendo como caminhar nesta gravidade um tanto diferente. Mas já deu pra sacar que uma das coisas mais legais é a via de comunicação que se estabelece entre blogueiros e leitores, muitos destes também blogueiros. Mesmo no meio de um trabalho de Francês, dentro de uma madrugada fria e deliciosamente silenciosa, a gente sente uma energiazinha vindo pelo ar.
E eu nem ia postar hoje.
Leio sempre o Digestivo Cultural - revista cultural eletrônica que alcança o impressionante número de 339 mil leitores no mês - mas confesso que nunca consigo degustá-lo integralmente: a eterna questão da falta de tempo. Só fui ler o post um mês depois.
Considero-me ainda uma alienígena nessa blogosfera: caí aqui nem sei como, há uns três meses, e ainda estou reconhecendo o terreno, aprendendo como caminhar nesta gravidade um tanto diferente. Mas já deu pra sacar que uma das coisas mais legais é a via de comunicação que se estabelece entre blogueiros e leitores, muitos destes também blogueiros. Mesmo no meio de um trabalho de Francês, dentro de uma madrugada fria e deliciosamente silenciosa, a gente sente uma energiazinha vindo pelo ar.
E eu nem ia postar hoje.
sábado, 30 de junho de 2007
mais uma perda
O mundo não é justo, mesmo. Agora mais essa: o site NoMínimo sai do ar.
Sou uma entre os milhões de visitantes que se habituaram a dar sempre uma passadinha lá e ler com prazer suas colunas. É inevitável não me sentir roubada mais uma vez.
Dos colunistas, alguns eu lia religiosamente: Xico Sá, Sérgio Rodrigues (A palavra é...), Tutty Vasques, Arthur Dapieve, Zuenir Ventura, Fábio Rodrigues (Tocatudo - música), Ricardo Calil (Olha só - tv/cinema).
A epígrafe na coluna de Sérgio Rodrigues, com uma frase de Tom Stoppard (“Toda saída de algum lugar é uma entrada em outro.”), sugere que manterão sites individuais, o que não será a mesma coisa. A cumplicidade do coletivo virtual sempre deixa a frase mais solta, o texto mais sacana - no bom sentido. E tem aquele lance da camaradagem, que conforta nos momentos difíceis, em que as palavras custam a sair.
Espero que o projeto de um novo site nos mesmos moldes, com a mesma independência e qualidade, consiga vingar. Por via das dúvidas, só pra aproveitar um pouquinho mais os últimos momentos, fiquei hoje mais de três horas lendo o NoMínimo. E olhem que odeio despedidas.
Sou uma entre os milhões de visitantes que se habituaram a dar sempre uma passadinha lá e ler com prazer suas colunas. É inevitável não me sentir roubada mais uma vez.
Dos colunistas, alguns eu lia religiosamente: Xico Sá, Sérgio Rodrigues (A palavra é...), Tutty Vasques, Arthur Dapieve, Zuenir Ventura, Fábio Rodrigues (Tocatudo - música), Ricardo Calil (Olha só - tv/cinema).
A epígrafe na coluna de Sérgio Rodrigues, com uma frase de Tom Stoppard (“Toda saída de algum lugar é uma entrada em outro.”), sugere que manterão sites individuais, o que não será a mesma coisa. A cumplicidade do coletivo virtual sempre deixa a frase mais solta, o texto mais sacana - no bom sentido. E tem aquele lance da camaradagem, que conforta nos momentos difíceis, em que as palavras custam a sair.
Espero que o projeto de um novo site nos mesmos moldes, com a mesma independência e qualidade, consiga vingar. Por via das dúvidas, só pra aproveitar um pouquinho mais os últimos momentos, fiquei hoje mais de três horas lendo o NoMínimo. E olhem que odeio despedidas.
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